sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Rede PAIciência - Texto "PAI de menina" - Guilherme Arruda



PAI de menina

Trezentos reais parcelados em 10 vezes. Esse foi o preço que pagamos por um exame de sangue para descobrir o sexo do nosso bebê. Quase o mesmo valor que gastamos com exames instantâneos de urina para confirmar a gestação um mês antes. Na verdade, os 'testes do xixi' (aqueles que aparecem dois tracinhos quando tem criança a caminho) são bem mais baratos, entre 5 e 15 reais. Mas se a sua mulher quiser repetir muitas vezes - como a minha quis - periga você ficar pobre antes dela desidratar.

- Você tem certeza que tem um segundo traço azul aqui? - ela perguntou.
- Certeza. Um mais escuro e outro mais claro. Mas estão os dois aí!
- Pois é. Porque será que o segundo sempre fica mais claro?
- Não sei, mas ele tá aí. É isso que importa, né?
- Faz o seguinte, faz xixi você nesse outro exame aqui. Assim a gente vê como fica quando dá negativo e compara. - ela pediu
.

Claro que me neguei a fazer o teste. Fomos pro Google. E comemoramos. É assim: se tiver um resquício de um segundo traço, sim vocês estão grávidos.

A diferença entre os exames de urina (que confirma se existe bebê na barriga dela ou se apenas é preciso intensificar a academia) e de sangue (que diz se é menino ou menina) é que o primeiro você se espreme no banheiro com a patroa e descobre o veredito na hora. Já o segundo, o resultado demora umas duas semanas e você não pode nem pisar na sala onde é feita a coleta do material.

- Mas eu quero entrar com ela, minha senhora.
- A sua entrada não é permitida, senhor. Se cair uma gotícula de saliva ou suor na amostra, o resultado pode ser comprometido.

Fiquei com raiva da enfermeira achar que eu ando cuspindo nos outros ou respingando por aí, mas aceitei a explicação. Uma micro-ultrapequena-mini-gotinha de qualquer coisa que tenha o cromossomo Y pode influenciar no exame e a menina (XX) se passar por menino (XY).

Em condições normais, nós nunca faríamos um exame de sangue para saber o sexo do bebê. Esperaríamos a ultra que mostra isso lá pela vigésima semana. Mas eu tinha uma viagem de trabalho programada para Nova York e fazer o enxoval lá seria muito mais barato.

Desde sempre, a gente chamou o nosso bebê de Bernardo, ou Paco, versão mais curta para 'pacotinho'. Tínhamos certeza que era um garotão. Até sair o resultado do exame de sangue, claro.

Recebi a notícia por telefone. Confesso: foi um choque. Um choque de felicidade também. Antes mesmo que pudesse me recompor, fui pro Outlet fazer compras. Com tantas sacolas nas mãos comecei a entender - e curtir - o que é ser pai de menina, ser pai da Manu.

Ser pai de menina é:


1) Saber comprar roupa, sapato e acessório.
Ou - no meu caso - com o preço muito em conta, comprar uma peça de cada modelo, para não ter erro. E - claro - se arrepender de tamanho exagero na hora de pagar pelo excesso de bagagem para a cia aérea. É impressionante como meninas têm muito mais opções de roupas. Isso sem falar que elas usam marrom, preto, azul escuro e cinza. Elas usam praticamente tudo que eles usam. Já os meninos - mesmo aqueles que vestem rosa - não costumam sair por aí de vestidinho.

2) Sofrer horrores quando a enfermeira - sem dó nem piedade - furar a orelhinha dela para colocar o brinco.
Pais de meninos, essa experiência se assemelha às vacinas que os pequenos tomam todos os meses. O furo na orelha é só um pouquinho pior, coisa pouca  mesmo.

3) Lidar (bem) com a precocidade. Sim, meninas são mais rápidas.
Saber que na idade dela você não fazia nada do que ela faz não é fácil. Mas perguntar ao médico se ela vai estar andando quando fizer um ano e ouvir como resposta: "Até lá ela estará correndo", é uma delícia. O negócio aqui tá tão rápido que acho que Manu vai estar sambando na primeira festinha. Ela começou a engatinhar aos seis meses e já fica em pé sozinha, hoje, aos sete. E os seis dentes na boca? Uma graça.

4) Não conseguir relaxar quando ela está com um tic-tac (é assim que chama?) no cabelo.
Sempre acho que ela vai arrancar aquilo da cabeça, enfiar na boca e ter um treco. A mãe acha lindo e não abre mão do enfeite. Então o jeito é esperar ela distrair, arrancar o negócio e colocar no bolso. A resposta padrão: "Caiu no chão, não vai botar de novo, né?" costuma funcionar. Depois disso é só respirar aliviado.

5) Ter cuidado redobrado na hora de trocar a fralda: cocô na perereca é um perigo!
Essa é uma neura que tenho aprendido a lidar. Os meninos não correm esse risco. Sorte dos pais deles. Toda vez que tem número dois, um resíduo vai parar lá. Mas nada que um pacote de lenço umedecido não resolva.

6) Adorar rosa, lilás e coisas delicadas.

Você passa a achar o rosa e lilás cores lindas. Dá nome para as bonecas e bichinhos de pelúcia e brinca com todos eles. Só não consegue decidir como a sua filha fica mais bonita, se é vestida de Branca de Neve ou bailarina.

7) Prestar atenção nos detalhes.
Eu sou do tipo que sai de casa sem pentear o cabelo (fácil), uso camiseta de dormir para ir ao trabalho (médio fácil) e vou descalço aos lugares (não tão fácil assim, mas possível). Mas a Manu é uma dama: tem que estar com o cabelo bem penteado para passear, passar perfume na roupinha e colocar um sapato que combine com o resto (esse último ítem ainda é difícil pra mim).

8) Aceitar que, por mais que ela seja a sua cara, sempre vão dizer que ela é parecida com a mãe.
Não sei se essa regra se aplica a todos os pais, mas comigo é assim. Quem foi que disse que precisa ser homem para parecer com o pai? A Manu é a minha cara. E, apesar disso, é muito linda!

9) Não precisar se preocupar com futebol.
Eu nunca gostei muito de futebol… Acho que a Manu também não vai ser muito chegada ao esporte. Menos um problema. Imagina um filho fanático com um pai boiando no assunto. Ia ter que me dedicar mais ao tema.

10) Bom demais!
Meninas são, sim, apegadas com o pai. No caso da Manu, com o pai e com a mãe. Ela é companheira, carinhosa, uma fofura sem igual. Delicadinha em tudo que faz. E sorridente que só. Forte e cheia de gênio. Faz uma carinha linda quando pisa na bola e outra irresistível quando se finge de tímida. É apaixonante.

Eu poderia listar milhares de tópicos sobre como é ser pai de menina. Mas todos seriam insuficiente para explicar como é bom ser pai da minha menina, como é bom ser pai.

 Guilherme Arruda tem 29 anos, é editor de telejornal e pai da Manuela, de 8 meses de idade.



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10 comentários:

  1. Eduardo Assumpção6 de janeiro de 2012 09:10

    E é ótimo ser dindo de uma menina! Ainda mais da Manu. Ainda mais da filha do Guilherme e da Elisa... Enfim: felicidade geral!

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  2. Me diverti muito com o post, sou mãe de menino e ter uma menininha um dia será super bacana tb!

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  3. "E os seis dentes na boca? Uma graça." Amei!!! Adoraria ver isso... Gui, vc como sempre inteligentemente bem humorado! Quem sou eu para analisar seu texto... mas posso dizer que foi delicioso ver você falar de sua filha de forma tão encantadora! Deve ter sido um dos textos mais fáceis de escrever... agora, devo te alertar: pelo menos por esta foto, afirmo que ela é SIM a cara da mãe!!! Parabéns!!! =)

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  4. Gui, que texto lindo! Doce e sacana ao mesmo tempo! Adorei... Fiquei imaginando a sua cara qdo a Elisa propôs que vc fizesse o teste pra saber a diferença no resultado... ahahaha Ri muito! Parabéns, meu amigo! Parabéns por seu talento, por ser pai e, principalmente, por ser um grande pai para sua pequena. Beijos!

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  5. Bem legal. Minha menina é o segundo filho. E acho que o segundo sempre vem sem tantas surpresas ... Me identifiquei bastante tbm ...

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  6. Ótimo texto! Daqueles que a gente fica triste quando acaba, porque queria ler mais!

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  7. Nossa q lindo,ate me emocionei,sou fa de carteirinha desse blog e to amando as novidades!É tudo tao suave,e tem a ver com o dia a dia,sem enfeites e exageros,indico a todos os pais que conheço!Parabéns pelo blog!E meus Parabéns ao pai da Mani,pq ela é linda e o texto tbm.

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  8. Nunca li um texto tao lindo e digno de comercial do dia dos pais. Parabens ao pai e a mae e Manu, que certamente caiu na familia certa. Texto belissimo e tenho ceteza que sua filha vai ama-lo quando estiver em voltas de suas primeiras leituras. Parabens!

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  9. Olá Guilherme,

    Também vou ser pai de uma menina que tbm se chamará Manuela e, me identifiquei muito com suas palavras. Estou ansioso pela chegada da minha bebê e me faz bem ler textos assim, de pais que, como eu, querem dar o seu melhor e serem o melhor que puder para seus filhos.
    Parabéns pela filhota e pelo blog. Felicidades a toda familia!
    Abraço, Deus abençoe!

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  10. Acabo de ler seu texto em voz alta p/ meu noivo e me emocionei... tinha certeza que estava grávida de um menino, o Benjamin, até a ultrassom confirmar o sexo. Menina! Nossa pequena princesa Maria Clara! Que legal sua sensibilidade com o mundo feminino. Ter um filho ou uma filha é, sem dúvidas, a maior realização de um ser humano! Parabéns pelo texto ;)

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